ALERTA

Águas do açude São Gonçalo para abastecimento podem acabar em março de 2018; segundo estudo de professor da UFCG; veja

16/10/2017

Professor Doutor Allan Sarmento da UFCG vem alertar as autoridades locais que só temos água até o fim de março de 2018, caso não chova, e recomenda a elaboração de um plano emergencial o mais rápido possível.

 

 

O açude São Gonçalo, que está localizado na sub-bacia do Rio Alto Piranhas, foi construído 1922 e inaugurado no governo de Getúlio Vargas no ano de 1936, e possui uma capacidade máxima de 44,6 milhões de m³. Segundo a Agência Executiva de Gestão das Águas (AESA). A última vez que o açude sangrou foi no ano de 2011 e chegou ao seu estado crítico no ano de 2016, atingindo um volume de 2,9% da sua capacidade máxima, devido o período da estiagem. Em 22 de março de 2016 aconteceu um “milagre” e o reservatório atingiu um volume de aproximadamente de 12,5 milhões de m³, vindo a se recuperar mais ainda em 14 de abril de 2017 chegando a volume de 13,53 milhões de m³. E atualmente, em outubro de 2017 está com um volume 19,2% da capacidade máxima.

 

Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) a maior temperatura registrada foi de 39,8ºC em 16 de julho de 1997 e a menor temperatura registrada atingiu 12,2ºC em 27 de junho de 2008. O menor índice de umidade relativa do ar (vapor de água) registrada foi de 14% no ano de 1976. A maior chuva acumulada em 24 horas foi de 192,6 mm em 6 de maio de 2008 (WIKIPÉDIA, a enciclopédia livre). Segundo dados do Departamento Nacional de Obras contra as Secas (DNOCS), a precipitação média anual é em torno de 894 mm e a evaporação média anual chega a 3.056,6 mm, quase 3 metros de lâmina de água do açude no ano se transforma em vapor de água.

 

A outorga emitida pela Agência Nacional de Águas (ANA), no ano de 2013, para captação de água no açude São Gonçalo é de cerca de 13.800 m³ por dia, ou 159,72 litros por segundos para abastecer os municípios de Sousa, Marizópolis e o Distrito de São Gonçalo. A vazão aduzida para o município de Nazarezinho e o distrito de Gravatá atualmente são abastecidos pela captação por fio d’ água, no leito do rio Piranhas, com uma vazão de 12 litros por segundo (ABREU et al, 2017).

 

Num parecer técnico nº 92/2015, elaborado pela Agência Nacional de Águas (ANA), que trata da necessidade da execução de levantamento batimétrico (ou seja, determinar quanto do manancial está comprometido devido ao assoreamento), permitiu-se assim conhecer a real curva da Cota x Área x Volume do reservatório São Gonçalo. Para termos noção do problema, conforme o estudo do parecer foi observado na cota 234,83 metros uma redução no seu volume de aproximadamente 25%, quando comparado com o volume especificado em projeto.

 

Conforme estudo realizado pelo Grupo de Pesquisa Gestão Ambiental no Semiárido (GAS), considerando as condições atuais que se refere ao mês de outubro de 2017, estabeleceu-se que: 1. há uma demanda de 159,72 litros por segundos nas cidades de Sousa, Marizópolis e o Distrito de São Gonçalo; 2. existe uma retirada do açude de 180 carros pipas com capacidade de 10.000 litros, sendo equivalente a uma retirada 1.800 m³ por dia, ou uma vazão de 28,33 litros por segundo; 3. mesmo que o volume divulgado pela Agência Executiva de Gestão das Águas (AESA), seja de 8,55 milhões de m³, quando descontando o volume assoreado recomendado pelo parecer técnico Nº 92/2015, a quantidade de água real que está disponível no açude São Gonçalo é de 6,89 milhões de m³, que perfaz 15,45% da capacidade máxima. Em concordância com todos os dados supracitados, contabilizando, ainda, tudo o que se pode evaporar nos próximos meses, alerta-se para um real cenário em que a água do açude São Gonçalo só vai ser suficiente até o final do mês de março de 2018. Lembrando que não podemos contar mais com a adutora emergencial do Pintado construída pelo Governo do Estado, porque o açude Mãe D’ água está atualmente (outubro/2017) apenas com 4,4% da sua capacidade máxima, segundo dados disponíveis do volume diário em 10/2017 no site do AESA, agravando ainda mais o cenário projetado, em comparação a crises anteriores.

 

Analisando a Figura 01 a seguir só podemos comprovar que a queda acentuada do volume de água armazenado no açude São Gonçalo está acelerada, ficando o alerta para autoridades locais tomarem alguma inciativa e começar elaborar um plano emergencial de racionamento com monitoramento e uma campanha educativa de economia de água para população, porque só temos água até o fim do mês março de 2018, caso não chova.

 


 

Professor Doutor Allan Sarmento Vieira

Líder do Grupo de Pesquisa Gestão Ambiental no Semiárido - GAS/CNPq/UFCG
Coordenador da Especialização em Gestão Ambiental - PPGA/CCJS/UFCG

Supervisor do Metrado Acadêmico em Sistemas Agroindústrias - PPGSA/CCTA/UFCG

Curriculum Lattes: http://lattes.cnpq.br/1584355117069605
Universidade Federal de Campina Grande (UFCG)

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