
Embora o inglês continue sendo o idioma mais buscado por brasileiros, apenas 13% dos que dizem ter algum conhecimento se consideram realmente fluentes. O dado faz parte da pesquisa Idiomas e Habilidades, realizada pela Pearson em parceria com a Opinion Box, que ouviu mais de 7 mil brasileiros, entre fevereiro e abril de 2025. A pesquisa mostra que a maioria dos brasileiros que tem contato com a língua inglesa ainda está nos estágios iniciais de aprendizado: 49% dizem ter nível básico, enquanto 38% alegam ter domínio intermediário.
Levando em conta características regionais, o percentual de fluência no idioma inglês chega a variar 10 p.p. quando comparada a região Sul, que possui o maior percentual de proficiência avançada, com 16%, e o Norte, que registrou o menor índice no país, com apenas 6%. A lacuna é também relevante na comparação entre classes econômicas. Enquanto 23% das pessoas que declararam ter renda mais altas (A e B) dizem dominar o idioma de forma avançada e independente, a taxa cai para 11% na classe C e 10% na classe D.
Apesar das diferenças regionais, o Norte lidera em engajamento atual com o aprendizado de inglês: 43% alegaram estar estudando de formal ou informalmente o idioma no momento, superando o Sudeste (41%), Nordeste (39%), Sul (37%) e Centro-Oeste (37%). Entre as principais motivações para estudar inglês, o destaque é o desenvolvimento profissional, seguido por turismo e interesse cultural. O aprendizado se dá, sobretudo, por meio de aplicativos, autoestudo e aulas presenciais – nesta ordem.
Ainda assim, barreiras estruturais continuam a limitar o avanço do idioma entre a população: 33% não estudam por falta de recursos financeiros, e outros 33% por falta de tempo. A questão de acesso cultural também aparece com força entre os obstáculos percebidos. Para 25%, a dificuldade de compreender conteúdos como filmes e séries em inglês é a principal barreira. Já 20% apontam a incapacidade de se comunicar em viagens internacionais como um desafio.
Para a Pearson, os dados reforçam a importância de ampliar o acesso à educação linguística de qualidade no país. “O inglês deixou de ser uma vantagem e se tornou uma necessidade para manter a relevância de qualquer profissional em um mercado profundamente impactado por transformações tecnológicas e culturais. Cada vez mais, precisamos adquirir novas habilidades, e a fluência em inglês contribui significativamente nesse processo, já que a maior parte do conteúdo disponível e das oportunidades de aprendizado está em inglês.”, afirma Cinthia Nespoli, CEO da Pearson no Brasil.
Conhecimento adquirido de forma online
A pesquisa da Pearson e Opinion Box também investiga como os brasileiros se relacionam com o processo de aprendizagem do idioma. Os aplicativos gratuitos são os principais meios de estudo buscados pelos brasileiros, com 42% dos respondentes; seguidos de formas de estudar por conta própria, com 40%; 37% em classes formais; e por meio da música, com 33%.
O resultado de 2025 aponta para uma mudança de comportamento dos brasileiros em relação à maneira de buscar conhecimento do idioma. Em 2024, a mesma pesquisa da Pearson com a Opinion Box revelou que o meio mais procurado para estudar inglês eram os cursos formais em escolas de idiomas, com 50%; os aplicativos ficaram apenas em quinto lugar, aparecendo como resposta para 33% dos entrevistados.
“A preferência dos brasileiros pelo aprendizado online é uma tendência que só cresce desde a pandemia. Dados de diferentes pesquisas mostram que, tanto no ensino superior quanto na formação profissional e no aprendizado de idiomas, a flexibilidade e o acesso oferecidos pelo digital têm sido determinantes”, comenta Nespoli. “Atualmente, formatos online ou híbridos são os preferidos por grande parte da população, especialmente em cursos livres e de especialização. Isso reforça o papel das plataformas digitais como aliadas estratégicas para ampliar o acesso à educação de qualidade em escala nacional”, completa a executiva.
Sobre a pesquisa
A pesquisa Idiomas e Habilidades foi realizada pela Pearson, em parceria com a Opinion Box, entre 24 de fevereiro e 8 de abril de 2025. Foram entrevistadas 7.088 pessoas no Brasil, com faixa etária de 18 anos a 60 anos, abrangendo todas as regiões do país e diferentes classes sociais (AB, C e DE). A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais.
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