
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Na mira do Conselho Nacional do Ministério Público, sem apoio da Procuradoria-Geral da República e com investigações anuladas pelas cortes superiores, os procuradores da Lava Jato do Rio Janeiro fecharam um acordo de delação premiada milionário e ofereceram ao menos três denúncias nos últimos meses.
Os casos, entretanto, não têm sido divulgados por causa do receio de novas investidas contra os procuradores como a em andamento no CNMP.
O corregedor-geral do conselho, Rinaldo Reis Lima, pediu em julho a demissão de 11 procuradores que atuaram na Lava Jato do Rio sob a alegação de que eles publicaram no site do MPF dados sigilosos de uma investigação sobre o ex-ministro Edison Lobão e de seu filho, Márcio Lobão.
Transformada em Gaeco (grupo de atuação contra o crime organizado) pela gestão de Augusto Aras, a antiga força-tarefa chefiada pelo procurador Eduardo El Hage tem em seus quadros atualmente 9 procuradores e 3 assessores.
A quantidade é classificada por investigadores como insuficiente para dar conta da análise de todo material amealhado nos últimos anos.
Na quinta (12), os procuradores denunciaram o almirante Othon Pinheiro da Silva, ex-presidente da Eletronuclear, e mais cinco pessoas.
Eles são acusados pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção relacionados ao Prosub (Programa de Desenvolvimento de Submarinos) da Marinha.
O caso teve origem no acordo de delação de executivos da Odebrecht. Além da condenação pelos crimes, o Gaeco pede o confisco de US$ 165 milhões para reparação dos danos causados. Na cotação atual, o valor alcança R$ 939 milhões, aponta o MPF.
A denúncia é a terceira dos últimos dois meses e soma-se a um acordo de delação fechado com um doleiro alvo da operação Câmbio, Desligo que confessou seus crimes e pagou cerca de R$ 200 milhões como ressarcimento aos cofres públicos.
O grupo também denunciou um auditor da Receita Federal que atuava para a organização criminosa chefiada pelo ex-governador Sérgio Cabral e apresentou uma acusação por tráfico internacional de armas contra Ronnie Lessa, preso pela morte da vereadora Marielle Franco.
As denúncias e acordos se dão no pior momento do grupo responsável pela prisão de Cabral, do ex-presidente Michel Temer e por desarticular o banco de doleiros chefiado por Dário Messer, conhecido como “doleiro dos doleiros”.
Além da investida do CNMP, os procuradores não tem o apoio da PGR como no auge da Lava Jato e tem visto seus casos serem revertidos nas instâncias superiores.
Na terça (10), a 2ª turma do Supremo Tribunal Federal anulou todos os atos do juiz Marcelo Bretas e enviou para a Justiça estadual o material da operação Esquema S.
A investigação mira escritórios de advocacia contratados pela gestão de Orlando Diniz na Fecomércio do Rio de Janeiro, alguns ligados a parentes de ministros do Superior Tribunal de Justiça.
Política Boulos acredita que fim da escala 6x1 pode ser aprovado neste semestre
POLÍTICA Autor paraibano lança livro que propõe uma política com mais responsabilidade e menos espetáculo
Política PEC da Blindagem abre portas do Congresso ao crime, diz relator
Política Anistia geral e irrestrita é impossível, diz relator na Câmara