Geral CANGAÇO NO SERTÃO
O ataque de Lampião a Sousa: a invasão cangaceira que marcou a história do Sertão da Paraíba
Entenda como conflitos políticos e vingança levaram o bando de Lampião a invadir Sousa, em 1924, deixando marcas profundas na história do Sertão da Paraíba
27/07/2022 14h30 Atualizada há 5 meses
Por: Sertão Informado Fonte: Sertão Informado
Bando de Lampião, 1936. Foto: Acervo IMS

O cangaço foi um fenômeno marcado por banditismo, crime e violência que surgiu no Nordeste brasileiro entre o final do século XIX e o início do século XX. Formado por grupos armados conhecidos como cangaceiros, o movimento teve origem principalmente nas precárias condições sociais da região, como a seca prolongada, fome, desemprego, impostos abusivos e a ausência de direitos básicos garantidos pelo Estado.

Registros históricos indicam que José Gomes, conhecido como Cabeleira, nascido em Glória do Goitá (PE) em 1751, foi um dos primeiros a adotar práticas semelhantes ao cangaço. No entanto, o movimento ganhou notoriedade nacional com figuras como Lampião (Virgulino Ferreira da Silva), Antônio Silvino e Corisco, que se destacaram pela atuação violenta, envolvendo saques, sequestros e assassinatos, sobretudo contra fazendeiros e representantes do poder local. Estima-se que ações ligadas ao cangaço tenham resultado em mais de mil mortes.

Apesar da violência, parte da população enxergava os cangaceiros como protetores ou justiceiros, em razão da resistência contra abusos das elites regionais. Por outro lado, muitos grupos espalhavam terror, atacando inclusive vilas pobres e comunidades humildes, o que demonstra que o cangaço possuía diferentes formas de atuação.

O ataque de Lampião à cidade de Sousa, no Sertão da Paraíba

Na cidade de Sousa (PB), o estopim para o ataque do bando de Lampião foi a morte do Coronel João Pereira, comerciante influente da região. Seu filho, Francisco Pereira Dantas, conhecido como Chico Pereira, atribuiu o assassinato a uma disputa política envolvendo Otávio Mariz e seu pai, Antônio Marques da Silva Mariz.

(Foto: Reprodução/Canal Cangaçologia)

O conflito se agravou após um episódio ocorrido em um dia de feira em Sousa, quando o então prefeito Otávio Mariz agrediu publicamente um bodegueiro de Nazarezinho, Chico Lopez, ordenando que levasse um recado ameaçador a Chico Pereira, na Fazenda Jacu, localizada naquele município.

Após relatar o ocorrido, Chico Lopez foi até Princesa Isabel, onde encontrou Lampião, que estava em tratamento de saúde. Sensibilizado, o líder cangaceiro decidiu enviar 17 homens de sua confiança para realizar o ataque. Além da vingança, o bando também visava lucro financeiro, já que Sousa possuía um comércio expressivo para a época.

Antes da invasão, os cangaceiros se reuniram na Fazenda Jacu com jagunços da família Pereira, formando um grupo de aproximadamente 84 homens armados. O ataque ocorreu na manhã de 27 de julho de 1924, pegando a população de Sousa de surpresa.

O principal alvo era Otávio Mariz, que havia fugido para o município de Lastro, onde buscou apoio do Capitão Manoel Gonçalves. Quando a tropa chegou à cidade, o bando já havia se retirado.

Durante a invasão, os cangaceiros causaram grandes prejuízos, saqueando comércios e residências. Um dos episódios mais marcantes foi a humilhação pública do juiz Arquimedes Souto Maior, obrigado a percorrer as ruas da cidade vestindo pijama. O magistrado só não foi executado graças à intervenção de Chico Pereira, que evitou o assassinato por meio do diálogo.

Consequências do ataque

Após o episódio, as autoridades paraibanas reagiram com rigor à afronta sofrida pelo Judiciário e intensificaram a perseguição contra Lampião e seu bando, resultando na expulsão dos cangaceiros do território da Paraíba.

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Da Redação
Sertão Informado,
Com texto de José Romero de Araújo Cardoso e outras fontes de pesquisa da internet