Internacional

Novos protestos deixam civis mortos e policial baleado na Colômbia

Protestos já deixaram pelo menos 61 mortos em mais de um mês. Governo e Comitê Nacional de Greve devem se reunir neste domingo (6)

Pelo menos dois civis foram mortos e um policial foi baleado durante um confronto entre as forças de segurança e manifestantes na cidade de Cali, epicentro do surto social que deixou pelo menos 61 mortos em mais de um mês de protestos na Colômbia.

Segundo autoridades, o incidente ocorreu na noite de sexta-feira (4), quando um grupo de policiais foi atacado com armas de fogo por pessoas que tentavam bloquear um dos acessos à terceira maior cidade do país.

“Um policial foi ferido (por uma bala) na perna (…) este ataque foi repelido e na madrugada eles confirmaram a morte de dois cidadãos ali”, relatou o comandante da polícia de Cali, general Juan León.

Ele não informou a identidade das vítimas ou responsáveis por sua morte. Três outros civis ficaram feridos, um deles com um tiro, acrescentou León.

Vídeos postados nas redes sociais mostram civis agachados enquanto a troca de tiros começa.

O confronto aconteceu em uma área conhecida como Paso del Comercio, onde manifestantes mantêm bloqueio desde 28 de abril, quando multidões saíram às ruas para protestar contra um projeto de lei agora retirado para aumentar os impostos da classe média.

O que começou com um protesto contra a reforma tributária acabou em um movimento exigindo uma reforma da polícia e um estado mais solidário para lidar com a devastação econômica causada pela pandemia, que esta semana bateu recordes de mortes e casos.

Na manhã de sexta-feira (4), as autoridades abriram o caminho nesta estrada, mas durante o dia os manifestantes retornaram para manter o bloqueio.

“A polícia está impedindo que eles voltem à estrada, impedindo que levantem bloqueios”, informou León, acrescentando que neste momento a passagem está “totalmente desbloqueada”.

Mortes e bloqueios

Com essas mortes, o número total de vítimas durante os protestos chega a 61 (59 deles civis), de acordo com uma contagem feita pela AFP a partir de fontes oficiais.

O Ministério Público colombiano afirma que 20 dessas mortes estão relacionadas aos protestos. Por sua vez, a ONG Human Rights Watch afirma ter “denúncias credíveis” sobre 67 mortes ocorridas desde o início dos protestos.

A organização confirmou que 32 desses casos “estão relacionados às manifestações”.

De acordo com o Ministério da Defesa, 45 bloqueios de estradas ainda continuam nas estradas do país. Isso se tornou uma fonte de discórdia entre o governo e o setor ligado do protesto, que está em diálogo há várias semanas, no entanto sem chegar a um acordo.

O governo exige que o chamado Comitê Nacional de Greve condene esses bloqueios, aos quais atribui a morte de dois bebês presos em ambulâncias que não conseguiram seguir caminho e perdas milionárias.

Por sua vez, o Comitê exige “garantias para o protesto” e que o presidente Iván Duque se desculpe pelos excessos da polícia, denunciados por uma série de vídeos amadores.

As partes vão voltar a sentar à mesa para discutir neste domingo (6).

Fonte: G1

Sertão Informado

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